01 abril 2008

A educação precisa de inovação

Volto a tocar novamente no assunto metodologia de ensino. Por mais que eu tente me acostumar não consigo me conformar com a maneira com que as aulas são ministradas. Estamos num mundo onde tudo se modifica, tudo evolui e ao que parece somente as escolas não mudam, e quando digo "escolas" me refiro desde o ensino fundamental até os cursos de graduação.

Vamos aos fatos:
- desde quando entramos na primeira série do ensino fundamental até quando nos formamos na faculdade temos a presença do professor como a figura principal dentro da sala de aula;

- os recursos mais utilizados são livros, papel, lápis, caneta e borracha;

- geralmente o professor comporta-se como em um monólogo, ou então com uma mínima participação dos alunos;

- a participação dos alunos muitas vezes é forçada por perguntas que geralmente ninguém sabe responder ou não tem interesse em responder;

- o modo mais utilizado para estimular os alunos a estudarem é "quem não estudar vai tirar nota baixa";

- os alunos ficam, de certa forma, dependentes dos professores para lhes tirarem as dúvidas, mostrarem materiais novos e lhes mandarem estudar.
Esses são os fatores que mais denunciam a necessidade de mudança de metodologia de ensino. E não apenas mudar, é preciso inovar. Hoje em dia vemos tecnologia em todos os lugares que vamos, e é preciso utilizar toda essa tecnologia na educação.

Cursos EAD (Ensino A Distância, injustamente descriminados por muitos) são bons exemplos de uso da tecnologia na educação, inclusive com o uso massivo da internet, e também são bons exemplos de quebra de paradigma e inovação. A maior parte do material para consulta, a entrega de exercícios e as próprias aulas ministradas são via internet. A parte de inovação no estudo vai de encontro com o que escrevi neste post, onde após assistirem a aula os exercícios são resolvidos e debatidos em grupo, bem diferente do modelo cada-um-por-si praticado na maioria dos cursos presenciais. Um bom começo para mudarmos a metodologia de ensino talvez seja utilizar o que há de bom no EAD.

Outro exemplo de uso da tecnologia na educação são os notebooks educacionais de baixo custo. Eu enxergo essas iniciativas como uma luz no fim do túnel da decadente educação fundamental brasileira. Mas como nem tudo são flores, existem pesquisas que indicam que o mau uso desses notebooks pelas crianças podem diminuir o desempenho nas aulas. E isso me leva ao ponto onde eu queria chegar. De nada adianta o uso de toda tecnologia disponível se a aula não é interessante. E não se enganem, qualquer matéria pode ser a mais interessante do mundo, ou uma tortura inimaginável, vai depender muito de como essas aulas são ministradas. E posso dizer seguramente que o maior motivo pelo qual as salas de aula ficam vazias é a falta de interesse dos alunos pelas matérias.

É necessário inovação para fazer os alunos se interessarem pelas aulas, estudarem e realmente aprenderem. Um começo para realizar essa inovação é abusar de trabalhos em equipe dentro de sala de aula (só fica estranho escrever que uma metodologia tão antiga pode ser considerada inovação, mas...). A realização de trabalhos em grupos durante as aulas tiraria parte da responsabilidade do professor de transmitir todo o conhecimento para os alunos, que passariam a compartilhar mais conhecimento e buscariam informações em outras fontes (livros, internet...), tirando a dependência que os alunos tem do professor, que teria um papel mais de coordenação. Só fica a dúvida se alguns professores iriam aceitar perder parte de sua importância dentro da sala de aula.

Uma outra ideia que poderia dar certo é em relação ao foco do que é ensinado em algumas matérias. Em todos os cursos temos matérias que não estão diretamente relacionadas com o curso. Essas matérias não precisam ser estudadas em seus detalhes, logo o foco das aulas poderia ser estudos de casos onde são utilizados esses conhecimentos.

Bom, estou ainda organizando essas ideias, as quais pretendo apresentar na universidade onde estudo. Acho que mudanças assim só acontecem quando os maiores interessados tomam a iniciativa nesse sentido, que no caso são os alunos. Caso eu tenha mais alguma novidade sobre o assunto postarei aqui.

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